Não sei se é pelo hábito de ver filmes antigos, ou melhor, filmes que resistiram ao teste do tempo (e cada filme tem o seu teste), mas a sensação com que se fica em 2009 é de ser raro, muito raro, entrar numa sala de cinema e corrermos o risco de vermos algo diferente, que abra os nossos sentidos e quebre um pouco os nossos moldes e a nossa segurança. Por isso, um filme como The Limits of Control de alguém como Jarmusch parece valer mais ainda hoje. E numa altura em que se fazem filmes cujo teste do tempo vai-se ao ar em 5 minutos, uma obra como esta é algo que vai para além desse mesmo teste, estendendo a sua própria noção e abrindo-se à imaginação de quem o vê, mesmo quando não se espera. Não era o cinema isso mesmo, um desafio ultrapassado nas nossas noções básicas de espaço e tempo, lugar e movimento? Faz bem ir ao cinema e vermos alguém a relembrar-nos disso, e repito, parece-me cada vez mais raro e saudável.
Terça-feira, 18 de Agosto de 2009
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